Muitas pessoas têm a sensação de que os infartos estão mais frequentes nos últimos anos. Mas, afinal, por que tantas pessoas estão infartando hoje? A resposta envolve envelhecimento populacional, aumento de fatores de risco, mudanças no estilo de vida e maior circulação de informações. Além disso, o maior acesso aos sistemas de saúde melhorou também o diagnóstico.
Antes de buscar culpados, é fundamental analisar os dados com base científica.
Estamos realmente infartando mais?
A doença cardiovascular continua sendo a principal causa de morte no mundo há décadas. O que mudou não foi necessariamente a existência do infarto, mas o contexto. Sobretudo, as estatísticas e registros melhoraram consideravelmente.
Hoje temos, em linhas gerais:
- Mais diagnósticos precoces
- Melhor registro estatístico
- População mais envelhecida
- Maior exposição midiática dos casos
Quando a população envelhece, o número absoluto de infartos naturalmente aumenta. Isso não significa, necessariamente, que a taxa proporcional tenha explodido.
O papel da circulação de informações
Vivemos na era da hiperconectividade. Um caso de infarto em uma cidade pequena pode viralizar em minutos. E eventos envolvendo pessoas conhecidas, influentes ou públicas pode aumentar ainda mais o alarme em relação ao evento.
Além disso:
- Notícias circulam em tempo real
- Redes sociais amplificam relatos individuais
- Casos de figuras públicas geram grande impacto emocional
Isso cria a sensação de “epidemia”. No entanto, percepção não é sinônimo de aumento estatístico real.
Portanto, ao perguntar por que tantas pessoas estão infartando, é preciso considerar também o fator visibilidade.
O que realmente aumenta o risco de infarto hoje?
Independentemente das polêmicas, os fatores clássicos continuam sendo os principais responsáveis.
1. Síndrome metabólica em crescimento
Obesidade abdominal, resistência à insulina, colesterol alterado e hipertensão estão cada vez mais comuns, inclusive em jovens.
2. Sedentarismo
O tempo de tela aumentou drasticamente. Muitas pessoas passam mais de 8 horas por dia sentadas.
3. Estresse crônico
O estresse contínuo eleva o cortisol, inflamação e instabilidade de placas ateroscleróticas.
4. Sono inadequado
Privação de sono altera metabolismo, pressão arterial e ritmo cardíaco.
5. Uso de substâncias estimulantes
Energéticos em excesso, anabolizantes e drogas recreativas aumentam risco cardiovascular, especialmente em jovens.
6. Desinformação
Muitas informações inverídicas e sem base científica são disseminadas em redes sociais e outras formas de comunicação, servido como desinformação aos pacientes, e alterando a adesão a tratamentos com comprovado benefício.
A pandemia influenciou o cenário?
Sim, mas principalmente por mudanças comportamentais.
Durante esse período houve:
- Redução da atividade física
- Aumento do consumo de ultraprocessados
- Ganho de peso
- Atraso em consultas médicas
- Descontrole de doenças crônicas
- Aumento do risco de formação de trombos e, consequentemente de eventos como o infarto, associados à propria COVID-19.
Desta forma, a própria infecção viral pode ter impacto inflamatório vascular, aumentando risco em pacientes predispostos. Como o número de infectados foi muito elevado, isso pode ter impactado as estatísticas do infarto.
Estamos infartando mais jovens?
Observa-se maior número de casos em pessoas abaixo dos 45 anos. Porém, isso está fortemente associado a:
- Obesidade precoce;
- Diabetes tipo 2 em jovens;
- Uso de esteroides anabolizantes;
- Consumo de estimulantes;
- Estresse ocupacional intenso.
Ou seja, o estilo de vida moderno antecipa fatores que antes apareciam mais tarde.
E as teorias que circulam?
Em períodos de incerteza, é comum que explicações simplistas ganhem força. No entanto, a ciência exige dados robustos. Informações virais sem base científica contribuem para o desconhecimento, sobretudo pelo paciente, e aumentam muitas vezes o risco de desfechos desfavoráveis.
Até o momento, os principais determinantes de infarto continuam sendo os fatores tradicionais amplamente documentados pela cardiologia há décadas.
A medicina baseada em evidências não sustenta que exista um único fator novo responsável por aumento populacional de infartos.
Como reduzir o risco hoje?
Se a pergunta é por que tantas pessoas estão infartando, a pergunta seguinte deveria ser: “O que posso fazer para não ser uma delas?”
Estratégias eficazes
- Controlar pressão arterial;
- Monitorar colesterol e glicemia;
- Praticar atividade física regular;
- Manter alimentação equilibrada;
- Dormir adequadamente;
- Gerenciar estresse;
- Realizar check-up cardiológico periódico.
Hoje a cardiologia preventiva permite identificar risco antes do evento ocorrer.
O papel da avaliação cardiológica
Exames como:
- Teste ergométrico;
- Ecocardiograma;
- Holter;
- Angiotomografia;
- Escore de cálcio coronariano;
- Cateterismo cardíaco quando bem indicado
permitem identificar placas e arritmias antes do infarto.
Prevenção é ciência aplicada.
Conclusão
A sensação de que há mais infartos está ligada a múltiplos fatores: envelhecimento populacional, estilo de vida moderno, maior exposição a informações e crescimento da síndrome metabólica.
Quando analisamos com rigor, percebemos que os verdadeiros vilões continuam sendo conhecidos — e modificáveis.
Neste momento, o combate às fake news e à desinformação são essenciais, e contribuem para o cuidado com os pacientes.
Se você deseja avaliar seu risco cardiovascular ou fazer um check-up preventivo, procure o Centro de Cardiologia do Hospital Madre Teresa.
A informação correta salva vidas. Prevenção salva corações.
FAQ: por que tantas pessoas estão infartando hoje?
1) Por que tantas pessoas estão infartando hoje?
Porque aumentaram fatores de risco como obesidade, sedentarismo, estresse, diabetes e hipertensão, além do envelhecimento da população e maior diagnóstico.
2) A sensação de “mais infartos” pode ser só impressão?
Em parte, sim. As notícias circulam muito mais rápido, casos viralizam e a exposição a relatos aumentou. Isso amplia a percepção de frequência.
3) Infarto em jovens está mais comum?
Tem sido observado com mais frequência, principalmente por estilo de vida, síndrome metabólica precoce, uso de estimulantes, anabolizantes e privação de sono.
4) Estresse pode aumentar o risco de infarto?
Sim. O estresse crônico eleva hormônios de alerta, aumenta inflamação e pode contribuir para instabilidade de placas nas artérias.
5) Dormir pouco pode causar infarto?
Dormir mal não “causa” sozinho, mas aumenta pressão arterial, piora metabolismo e eleva risco cardiovascular ao longo do tempo.
6) O que mais pesa: genética ou hábitos?
Os dois importam. A genética aumenta predisposição, porém hábitos e controle de fatores de risco determinam grande parte do risco real.
7) Quais sinais podem indicar infarto e exigem urgência?
Dor ou pressão no peito, falta de ar, suor frio, náusea, dor irradiando para braço/mandíbula e mal-estar intenso e súbito exigem atendimento imediato.
8) Como reduzir o risco de infarto de forma prática?
Controlar pressão, colesterol e glicemia, praticar atividade física, melhorar alimentação, parar de fumar, dormir melhor e fazer check-up cardiológico.



