Definição de Estenose Aórtica

Doença na qual existe uma obstrução progressiva da via de saída  do  VE,  resultando  em  hipertrofia  ventricular  esquerda  e sintomas de angina, síncope e insuficiência cardíaca e se não tratada evolui para a morte.

É a terceira doença cardiovascular mais comum depois da HAS e da doença coronária.

E a mais comum das lesões de valvas nativas e a segunda indicação mais comum para cirurgia cardíaca.

Entre aqueles com 75 anos ou mais ocorre estenose aórtica moderada em 5% e estenose severa em 3% dos pacientes.

Forma clássica da Estenose Aórtica Grave

Estenose aórtica grave : geralmente é associada a presença de área valvar aórtica reduzida (AVA<1,0 cm²), elevação do gradiente valvar (médio acima de 40 mmHg).

Estenose aórtica importante de baixo gradiente “clássica” – FE abaixo de 50%, gradiente reduzido. Conduta: muitos desses casos devemos realizar eco-estresse para descartar pseudo-estenose aórtica (durante o estresse a AVA ficará acima de 1,0cm²) e documentar ausência de reserva miocárdica (útil nos pacientes de elevado risco cirúrgico para contra-indicar cirurgia aberta)

Estenose aórtica grave de baixo gradiente paradoxal – FE acima de 50%, cavidade ventricular reduzida (por hipertrofia, por exemplo) e gradiente reduzido. Um volume sistólico ejetado abaixo de 35 ml/m² pode não ser suficiente para gerar gradiente significativo.

A abordagem cirúrgica nos sintomáticos é indicada. Casos duvidosos em relação a veracidade do cálculo da AVA podem ser melhor documentados com uso de eco tridimensional ou mesmo quantificação do cálcio por tomografia computadorizada.

Estenose aórtica grave de baixo gradiente e fluxo normal – FE acima de 50%, gradiente reduzido, com cavidade ventricular normal (volume sistólico também normal: acima de 35 ml/m²). É considerada a forma mais comum, não contemplada pelas diretrizes em termos de manuseio, mas que quando bem investigada é confirmada em 50% dos casos suspeitos, levantando possibilidade cirúrgica.

Confirmação do Diagnóstico

Pacientes com estenose aórtica grave podem ser sintomáticos ou assintomáticos.

• A presença de sintomas é um determinante para o tratamento cirúrgico.

• Nos pacientes verdadeiramente assintomáticos existe controvérsia da indicação cirúrgica.

• A confirmação da gravidade é realizada por meio do ecocardiograma.

Avaliação do Risco do Procedimento

São aplicados scores  de risco: EUROSCORE I ou II e o STS Risc.

Paciente com EUROSCORE I >15%, EUROSCORE II ≥ 6% e STS score > 8% são considerados de alto risco cirúrgico.

Algumas patologias não estão presentes nos scores mas contribuem de forma decisiva na indicação cirúrgica independe do score.

São estas: Hepatopatias graves, doenças graves do colágeno, uso de imunossupressores, neoplasias e quimioterapias, aorta em porcelana, distúrbios de coagulação, deformidade torácica, tórax hostil por irradiação, cirurgias prévias, índice de fragilidade do paciente.

Indicação Anatômica

Avaliação da anatomia do complexo valvar para receber a prótese. Avaliação do acesso e trajeto do sistema carreador da prótese.

Três exames são fundamentais:

Ecocardiograma transtorácico e ou Transesofágico.

Tomografia computadorizada multi-slice: Método mais importante para verificação da adequação anatômica da prótese ao complexo valvar. Analisar o acesso e trajeto vascular do paciente devendo incluir todo trajeto aórtico, ilíacas, femorais.

Cinecoronariografia.


Prevalência da Doença Coronária nos Diversos Estudos com TAVI

Revascularização Miocárdica com Angioplastia e Cirurgia Aberta

         Classificação do Risco Operatório TVAo – TAVI

Baixo risco: STS < 4% sem comorbidades, sem fragilidade e sem impedimentos específicos para o procedimento.

Risco intermediário: STS 4% a 8%, pequena fragilidade ou comprometimento maior de um órgão e mínimo impedimentos específicos para o procedimento.

Alto risco: STS > 8%, fragilidade moderada a grave não mais do que comprometimento de 2 órgãos e possível impedimento especifico para o procedimento.

Risco proibitivo: Mortalidade e morbidade > 50% em 1 ano, 3 ou mais órgãos comprometidos severa fragilidade e severos impedimentos para o procedimento.



Estenose Aórtica Calcificada (N 128)
Sobrevida livre de Eventos


Estenose da Valva  Aórtica Assintomática

fev 18, 2025

Não existe tal coisa como muito cedo para TAVI em estenose aórtica grave assintomática

Os resultados do estudo EARLY TAVR (Avaliação de TAVR comparada à vigilância de pacientes com estenose aórtica grave assintomática) demonstram que o implante precoce de válvula aórtica transcateter (TAVI) em pacientes com estenose aórtica grave assintomática (EA) é superior à vigilância clínica na redução significativa do resultado primário composto de morte, acidente vascular cerebral ou hospitalização não planejada por causas cardiovasculares (CV).