Pessoas com doenças autoimunes têm maior risco de desenvolver problemas cardíacos. Isso ocorre porque o processo inflamatório crônico dessas doenças pode afetar diretamente o funcionamento do coração e dos vasos sanguíneos, elevando as chances de eventos cardiovasculares. Além disso, tais doenças podem ter efeitos indiretos sobre a saúde cardiovascular.

Assim. entender essa relação é fundamental para o diagnóstico precoce e para a escolha do melhor tratamento, especialmente em doenças como lúpus, artrite reumatoide e esclerose sistêmica.

Como as doenças autoimunes afetam o coração?

Inflamação crônica como fator central

As doenças autoimunes são caracterizadas por uma resposta imunológica inadequada, na qual o corpo ataca seus próprios tecidos. Esse processo leva à inflamação crônica, que não se restringe às articulações ou órgãos diretamente afetados, mas também compromete o sistema cardiovascular.

Complicações cardiovasculares mais comuns:

  • Pericardite: inflamação da membrana que envolve o coração, que pode ter desde manifestações leves até consequências mais graves e urgentes
  • Miocardite: inflamação do músculo cardíaco, também com apresentação variada, desde formas assintomáticas até casos de disfunção cardíaca grave
  • Doença arterial coronariana precoce
  • Disfunção endotelial e aterosclerose acelerada
  • Hipertensão pulmonar (em casos como esclerodermia)

Quais doenças autoimunes mais impactam o coração?

1. Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES)

É uma das condições autoimunes com maior associação a doenças cardíacas. Pode causar desde pericardite até aterosclerose precoce, mesmo em jovens, além de aumentar a predisposição para fenômenos ligados à coagulação (trombose, tromboembolismo), e outras consequências ao nível dos vasos.

2. Artrite Reumatoide (AR)

Pacientes com AR têm risco aumentado de infarto, insuficiência cardíaca e morte súbita, mesmo com controle das articulações.

3. Esclerodermia

Essa doença afeta a microcirculação e pode levar à hipertensão pulmonar e fibrose miocárdica.

4. Síndrome de Sjögren, Psoríase e Doença Celíaca

Embora menos citadas, também apresentam risco aumentado para complicações cardiovasculares.

O papel dos exames e do acompanhamento multidisciplinar

Quando realizar avaliação cardiológica?

  • Diagnóstico recente ou prévio de doença autoimune
  • Presença de sintomas como dor torácica, fadiga intensa e palpitações, ou eventos cardíacos prévios (angina, infarto, tromboses, embolismo, etc.)
  • Uso crônico de corticoides ou imunossupressores
  • Fatores de risco adicionais (como tabagismo, hipertensão, diabetes ou colesterol alto)

Exames indicados:

  • Eletrocardiograma (ECG)
  • Ecocardiograma
  • Ressonância magnética cardíaca (em casos específicos)
  • Cateterismo cardíaco em casos muito selecionados
  • Exames laboratoriais para marcadores inflamatórios e lipidograma
  • IMPORTANTE: Avaliação cardiológica detalhada e acompanhamento cardiovascular muito próximo, para se prevenir e evitar complicações

Estratégias de prevenção e cuidados

Controle rigoroso da inflamação

Reduzir a atividade da doença autoimune é essencial para proteger o coração. O tratamento adequado com imunomoduladores ajuda a minimizar os danos vasculares.

Modificações no estilo de vida

  • Alimentação anti-inflamatória (rica em vegetais, frutas, peixes e oleaginosas)
  • Prática regular de exercícios físicos
  • Abandono do tabagismo
  • Controle do estresse crônico
  • Controle muito rigoroso dos demais fatores de risco (hipertensão, diabetes, colesterol, etc.)

Monitoramento contínuo

O acompanhamento conjunto entre reumatologista e cardiologista é crucial. Avaliações periódicas permitem ajustar o tratamento e evitar complicações silenciosas. O tratamento multidisciplinar, em conjunto entre as especialidades, é a forma mais efetiva e segura de se conduzir pacientes com doenças reumatológicas, reduzindo consideravelmente o risco cardiovascular.

O que diferencia o cuidado com o coração em pacientes autoimunes?

  • Risco cardiovascular subestimado: Muitas vezes, pacientes jovens e sem fatores clássicos têm alto risco apenas pelo processo inflamatório.
  • Doença silenciosa: Lesões vasculares podem ocorrer sem sintomas por anos.
  • Respostas diferentes ao tratamento tradicional: Alguns medicamentos usados em cardiologia podem interferir nas doenças autoimunes ou vice-versa.

Por isso, o acompanhamento especializado, com foco nas interações entre o sistema imune e cardiovascular, é fundamental.


Doenças autoimunes e problemas cardíacos estão mais conectados do que se imagina. Ignorar essa relação pode atrasar diagnósticos e agravar complicações. Por isso, atenção contínua, exames preventivos e cuidado multidisciplinar são indispensáveis.

Se você tem uma doença autoimune e quer entender como está a saúde do seu coração, o Centro de Cardiologia do Hospital Madre Teresa está pronto para te acolher com tecnologia, segurança e excelência médica.

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FAQ – Perguntas frequentes

1. Toda doença autoimune pode afetar o coração?
Não necessariamente, mas várias delas aumentam o risco de doenças cardiovasculares, especialmente as sistêmicas.

2. Qual exame detecta complicações cardíacas em doenças autoimunes?
Depende da suspeita clínica. ECG, ecocardiograma e ressonância cardíaca são os mais comuns, sendo o cateterismo cardíaco e outros métodos invasivos indicados em situações específicas, menos frequentes. No entanto, o acompanhamento clínico com o cardiologista é o mais essencial.

3. É possível prevenir problemas cardíacos mesmo com doença autoimune ativa?
Sim. Controle da inflamação, estilo de vida saudável, controle dos demais fatores de risco e acompanhamento médico reduzem os riscos.

4. Corticoides aumentam o risco cardíaco?
Sim, especialmente com uso prolongado. Eles podem elevar pressão arterial, colesterol e glicemia.

5. Preciso de cardiologista mesmo sem sintomas?
Sim, porque complicações podem ser silenciosas. A avaliação precoce pode evitar eventos mais graves, auxiliando no controle clínico dos fatores de risco cardiovascular, prevenindo e detectando precocemente complicações.

6. A atividade física é segura em pacientes com doenças autoimunes?
Sim, desde que adaptada ao quadro clínico e com orientação médica.

7. Existe cura para os danos cardíacos causados por doenças autoimunes?
Nem sempre. Mas diagnóstico precoce e tratamento correto podem estabilizar e até reverter parte do quadro.

8. Medicamentos para o coração interferem no tratamento da autoimunidade?
Alguns sim. É fundamental que o cardiologista esteja ciente dos medicamentos em uso.